segunda-feira, 9 de maio de 2011

Obama e o Desemprego



Obama matou Bin Laden, mas precisa lembrar do que aconteceu com George Bush pai, que venceu a Guerra Fria e a Guerra do Golfo, e meses depois perdeu a eleição presidencial para Bill Clinton, por conta da economia. Os Estados Unidos passavam então (1992) por breve recessão, agravada pelas ansiedades de que o fim do conflito com a União Soviética resultassem num declínio da indústria de Defesa - o filme “Um Dia de Fúria” ilustra bem os medos daquele momento. A situação atual é que economia voltou a crescer depois do violento choque de 2007, mas o desemprego continua alto e segue como o principal problema para a reeleição de Obama. O ritmo de recuperação tem sido mais lento do que em crises anteriores (gráfico abaixo).



O índice atual está pouco acima de 9%, mais do que o dobro do habitual nos Estados Unidos. Há variações grandes com respeito à faixa etária, nível de instrução e etnia. O pior grupo é o de jovens negros que não completaram o ensino médio, nos quais os desempregados são espantosos 70%. Para pessoas de mesma idade e padrão educacional, mas de outras cores de pele, o número também é altíssimo, 35%. Em termos internacionais, são estatísticas comparáveis às da juventude nos países árabes que passam por revoltas.

Outra dificuldade é a persistência do desemprego por muito tempo, ao passo que os benefícios da seguridade social nos Estados Unidos em geral são limitados a 99 semanas, pouco menos de dois anos. O gráfico acima mostra que a recuperação da crise contemporânea tem sido muito lenta e ajuda a entender a pressão para expandir a rede de proteção social, mesmo diante de um déficit público recorde e de movimentos como o Tea Party, que protestam pelo que consideram a excessiva presença do Estado na economia.



Contudo, há boas notícias para Obama. Os dados mais recentes (acima), divulgados na sexta-feira, mostraram crescimento do emprego além do esperado, e foram bem recebidos pelos analistas econômicos. Setores como manufaturas e varejo tiveram bom desempenho, compensando as demissões oriundas dos pacotes de ajustes no serviço público americano. Só que as avaliações positivas não são consensuais. Cálculos que usaram outras metodologias, inclusive os do Departamento do Trabalho, apontaram para o crescimento do desemprego e outros observadores acreditam que os números atuais se beneficiaram do boom do comércio por conta do feriado da Páscoa, mas que o ritmo deve piorar nos próximos meses. Esperar para conferir.

Além da vitória política decorrente da morte de Bin Laden, Obama beneficia-se das divisões no Partido Republicano. As pesquisas de opinião indicam empate técnico entre Mitt Romney, Mike Huckabee (que foram pré-candidatos presidenciais em 2008) e Donald Trump. O bilionário empresário e apresentador de TV tem feito declarações de grande estardalhaço, mas suas motivações políticas são encaradas com ceticismo por revistas como Economist e Business Week, que tendem a considerá-lo mais como uma celebridade em busca das luzes da ribalta do que como um rival sério de Obama na corrida pela Casa Branca.

Um comentário:

charlles campos disse...

Escrevi sobre o assunto aqui

http://charllescampos.blogspot.com/2011/05/queimar-casa-para-assar-o-porco.html